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domingo, 18 de março de 2007

O feitio e a governação

Quino [clique para ampliar]

s\t, Quino


"Ia tudo muito bem até que surgiram pequenas discrepâncias entre a comissão de moradores da margem oposta e o engenheiro... e você já conhece o feitio do engenheiro!"



Isto a propósito do "compromisso pessoal" — também referido aqui —, assumido pelo ministro das obras públicas, o engenheiro Mário Lino, para a conclusão do novo aeroporto da Ota até 2017.
Nada como assumir compromissos pessoais com o dinheiro dos outros. E será que, de futuro, quando um ministro não expressar a sua vontade — sempre a título pessoal, claro —, deverá isso ser entendido como evidência de que não é algo para ser levado a sério?

domingo, 11 de março de 2007

Intolerância

Antecipo tempos difíceis. O estado português caminha para a proibição do consumo de tabaco em restaurantes e outros estabelecimentos públicos, naquilo que, muito justamente, Francisco José Viegas referiu como sendo mais um ataque aos cidadãos ("Querem estragar-lhes a vida, aos poucos."). Eu não sou fumador, mas arrepia-me o caminho que as coisas tomam. Hoje é o tabaco. Amanhã, quem sabe? Confesso, não é completamente inocente esta minha diatribe. Também eu temo pelos meus pequenos e grandes prazeres, obviamente em risco. E de um em particular: gosto de me peidar, lenta e relaxadamente, sobretudo depois de um bom repasto, sozinho ou na companhia de amigos. Julgo não ser necessário descrever extensivamente a satisfação que isso me traz, suponho que não seja demasiado diferente da dos demais. Neste particular estão os fumadores em desvantagem (ser-lhes-á mais difícil de fazer saber aos não iniciados o que significa abdicar de tal hábito). Por outro lado, e se descontarmos uma irrisória contribuição para o aquecimento global, não se pode dizer que os gases intestinais humanos tenham algum efeito nocivo sobre a saúde ou ambiente. Não ignoro o incómodo provocado nalgumas pessoas mais sensíveis (também eu não suporto o cheiro a fritos: há que respeitar as diferenças), mas não vejo como tolerável qualquer intromissão do estado nesta e noutras matérias. Porque não confiar no bom-senso e civilidade dos portugueses? Quando me pedem para que pare de me peidar, faço-o imediatamente. É assim tão difícil, pedir? Porquê a necessidade de legislar? Será que, se houvessem alguns milhões de portugueses com o mesmo hábito que eu, me encontraria na mesma situação dos meus amigos fumadores: como alguém perseguido e estigmatizado? Isto sim, é assustador!
Há que acabar com a caça às bruxas.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Aborto

"Numa Democracia, a baixa participação eleitoral é um sinal de bom funcionamento das instituições. Logo à partida garante que nada de verdadeiramente importante está em causa nas eleições, que os cidadãos conseguem viver a sua vida sem precisarem da política para resolver os seus problemas."


A baixa participação eleitoral é um sinal positivo, João Miranda [Blasfémias]



"Os seus problemas" (itálico meu), de facto.
O aborto não estará na lista de preocupações de, por exemplo, todas as respeitáveis idosas que não se incomodaram em ir votar por já não terem idade para ter filhos (como relatava uma cidadã belga, residente em Portugal, numa reportagem após o referendo, afirmando terem-lho dito várias senhoras suas conhecidas, e mostrando-se surpreendida com esta atitude de não-me-toca ergo que-se-lixe). Poderemos especular que, se se tratasse de um referendo à redução das pensões de reforma, o interesse e participação talvez fossem outros. Quereria isto indicar um mau funcionamento das instituições democráticas? Serão os temas relevantes ou irrelevantes segundo a sua popularidade? Talvez devêssemos então abolir o ensino da matemática.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Da plebe e das suas, e apenas suas, concupiscências

"Pois, se V. quer que a plebe leia boa literatura, escarrapache-lhe no título algo que a interpele directamente no centro de gravidade das suas magnas concupiscências e aproveite a oportunidade para lhe juntar uma suástica. O sucesso é garantido, mesmo que se trate de um tratado de Wittgenstein, Popper ou Kuhn".


Quer ver quintuplicadas as visitas ao seu blogue?, Combustões



Ou seja, publicando isto (com Cristo como bónus):



Miron Zownir

s\t, Miron Zownir



... terei garantida a atenção da plebe.
E funciona também com blogues?
Bom, se não funcionar, posso sempre fazer como o autor do Combustões, Miguel Castelo-Branco, e espalhar desinteressadamente pelo subtítulo motes como "Pornography", "Lolitas" e "Sex". Desde que não me esqueça de acrescentar a negação e o devido tom sarcástico, para que não se confundam com as "magnas matérias" aqui tratadas.

Actualização: O subtítulo do Combustões — «Sem interesse para quantos buscam "pornography", "lolitas", "sex" e outras magnas matérias» — foi entretanto substituído.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Blogues - subtítulos memoráveis II

"A Blasfémia é a melhor defesa contra o estado geral de bovinidade"


Blasfémias

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

"Na cova dos lobos...

... não há ateus"


A propósito desta posta no Cinco dias.



Emergency Prayer Position - Tammey Stubbs [clique para ampliar]

Emergency Prayer Position (2001), Tammey Stubbs



Não só não há ateus como há que cobrir todas as bases (fazendo uso de uma expressão do baseball)... Hare Krishna? Wicca? Cientologia?
Onde é que me inscrevo?

Adenda: Cada vez que alguém venha com essa história da cova dos lobos, pode-se sempre replicar com a piada do Bill Hicks sobre o Papa.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Sobre a veia dialogante da igreja

"(...) como é possível que aquele homem ou mulher, que se diz ateu, gaste tanta energia intelectual, tanto tempo e, às vezes, tanto dinheiro, para se documentar, para estudar e para falar sobre algo em que não acredita - Deus. Não ocorreria a ninguém despender recursos assim para falar de gambozinos."


Desde que seja para falarem de Deus, Pedro Arroja (Blasfémias, 03.01.2007)



No dia em que, em nome dos ditos gambozinos, me tentem impor comportamentos, políticas, ideias... enfim, que me tentem moldar (compulsivamente) o modo como vivo, aquilo que digo, aquilo que faço, certamente que as referidas criaturas ganharão a minha atenção.

Quanto à incapacidade dos agnósticos em se decidirem... digamos que a "informação" prestada é de reduzida qualidade (ler "relevância").


ps. Lamento o desvio da linha de futilidade e auto-contemplação que caracteriza este blogue. Prometo retomá-la assim que possível.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Blogues - subtítulos memoráveis I

"I’m just like you, only I’m interesting and my life isn’t devoid of meaning"

Violent Acres