sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O sentido da vida

É para baixo.
Tradicionalmente, fixamo-nos ali a cerca de metro e meio, dois metros, de profundidade. Mas mesmo que não seja essa a vontade — e não é a minha —, as cinzas, tal como os sedimentos, assentam, e, também nesse caso, o sentido é claro: baixo. A velhice torna-o evidente: os músculos atrofiam, os ossos desgastam-se, ficam porosos, arqueados; a pele perde firmeza, descai; vê-se na cara, debaixo dos braços, nas mulheres o peito, nos homens os testículos, todos a barriga, as ancas, a face. Sempre, sempre, para baixo.

Vou beber um café.