sábado, 19 de abril de 2008

Ah, a juventude...

Young & Hungry - YoungGuns Awards 2005, Ana Bagayan
Young & Hungry - YoungGuns Awards 2005, Ana Bagayan
Young & Hungry - YoungGuns Awards 2005, Ana Bagayan

Cartazes do Festival Internacional de Publicidade YoungGuns de 2005, Ana Bagayan



Recorda-me um poema de Gottfried Benn: Bela Juventude (Schöne Jugend, 1912). Transcrevo duas traduções, uma do Vasco Graça Moura, com o nome Bela Infância, a segunda do João Barrento. Eu recortaria um verso daqui, uma palavra dali...



BELA INFÂNCIA


A boca de uma rapariga que passara muito tempo

[no canavial

estava tão roída.
Quando lhe abriram o peito, o esófago estava todo esburacado.
Finalmente, num caramanchão sob o diafragma
encontrou-se um ninho de ratinhos.
Um dos irmãozinhos estava morto.
Os outros tinham vivido do fígado e dos rins,
bebido o sangue frio e passado
aqui uma bela infância.
Mas depressa tiveram também uma bela morte:
Deitaram-nos todos à água.
Ah, como os pequenos focinhos chiavam!




BELA JUVENTUDE


A boca de uma rapariga que tinha jazido muito tempo

[entre canaviais

estava toda roída.
Quando lhe abriram o peito, o esófago estava todo esburacado.
Finalmente, num recanto sob o diafragma,
encontraram um ninho de jovens ratazanas.
Um dos irmãozinhos da ninhada estava morto.
Os outros viviam de fígado e de rins,
bebiam o sangue frio, e aqui
tinham passado uma bela juventude.
Bela e rápida foi também a sua morte:
Lançaram-nos todos à água.
Ah, como chiavam os pequenos focinhos!