segunda-feira, 17 de março de 2008

Cagar sentenças

Francisco José Viegas - foto de Rui Cerdeira Branco

Francisco José Viegas
Foto: Rui Cerdeira Branco



Francisco José Viegas "detesta 'piercings'" e acha "o excesso de tatuagens uma infantilidade grotesca". Não sei quantas horas por mês gastará ele a tratar da barbicha, mas nunca serão excessivas, e de certeza que acorda todos os dias já com a boa pinta que se lhe vê nesta foto. A roupa e a armação que usa comprou-as nos saldos e as unhas, só por coincidência, tinham sido cortadas no dia anterior, caso contrário estariam na normalidade desarranjada que se espera de um adulto com coisas mais importantes com que se preocupar.

Recorda-me um tipo — Rod Filbrandt — que se tem dedicado a expor as opções dos outros que lhe fazem comichão. Chamou-lhe The Bane of My Existence. Um exemplo:



Bane of my existence

The New Lounge Lizards, Rod Filbrandt



Claro que todos nós nos avaliamos e aos outros constantemente. Opinamos, julgamos e actuamos em conformidade com o nosso veredicto. Pretender flutuar acima disso, considerando os "excessos" — se o forem — dos outros e ignorando os nossos, é transformarmo-nos numa versão um pouco mais sofisticada da coscuvilheira de bairro. Como dizia a minha mãe: é "cagar sentenças", afirmação que é, ela própria, aquilo que define, mas já chega de relativismo por hoje.


ps. Não tenho qualquer tatuagem ou 'piercing'.